Hoje tem início a semana de conscientização mundial do autismo que culmina no próximo sábado, dia 2 de abril, dia decretado pela ONU a quatro anos atrás para a sensibilização da população mundial sobre a síndrome que hoje acomete 1 em 110 crianças em diferentes graus e intensidade.
A nossa luta de conscientização ainda é um movimento de pais, mas isto não é uma pena.
Pelo contrário. Estamos construindo uma base sólida que começa a se espalhar com dignidade e respeito.
Denise Fonseca, uma querida amiga virtual e pessoal, conseguiu dar o nosso recado no Programa Esquenta da Regina Casé.
Conseguimos também uma participação e divulgação no Programa Mais Você de Ana Maria Braga:
A Revista Autismo criou uma campanha para esta semana, toda idealizada e colocada em prática por pais.
Hugo Ksenhuk, pai de 2 meninos com autismo, criou este lindo cartaz para a campanha. Imprima-o e espalhe por tuda a sua comunidade e locais que você frequenta com seu filho.
Marie Dorion Schenk, minha querida amiga do blog Uma Voz pelo Autismo, criou este lindo vídeo com as nossas crianças:
E o Franscisco Paiva Junior, outro grande amigo e editor a frente da Revista Autismo, escreveu o texto abaixo sobre o dia 2 de abril. Para mais informações e verificar todos os eventos programados para o dia 2 em todo o Brasil, visite o site da revista.
Não foi à toa que a ONU (Organização das Nações Unidas) decretou todo 2 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (World Autism Awareness Day), desde 2008. Este é o quarto ano do evento mundial, que pede mais atenção ao transtorno do espectro autista (nome oficial do autismo), que é mais comum em crianças que AIDS, câncer e diabetes juntos.
O autismo é uma síndrome complexa e muito mais comum do que se pensa. Atualmente, o número mais aceito no mundo é a estatística do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão do governo dos Estados Unidos: uma criança com autismo para cada 110. Estima-se que esse número possa chegar a 2 milhões de autistas no país, segundo o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante citou em audiência pública no Senado Federal no fim de 2010, onde discute-se uma lei exclusiva para o autismo, liderada pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Mercadante é um dos autores da primeira (e por enquanto única) estatística brasileira, num programa piloto por amostragem na cidade de Atibaia (SP), que registrou naquela amostragem incidência de uma para cada 333 crianças -- publicada no final de fevereiro último. No mundo, segundo a ONU, acredita-se haver mais de 70 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. A incidência em meninos é maior, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com autismo.
No ano passado, um discurso do presidente dos Estados Unidos, no dia
2, lembrou a importância da data: “Temos feito grandes progressos, mas os
desafios e as barreiras ainda permanecem para os indivíduos do espectro do
autismo e seus entes queridos. É por isso que minha administração tem aplicado
os investimentos na pesquisa do autismo, detecção e tratamentos inovadores –
desde a intervenção precoce para crianças e os serviços de apoio à família para
melhorar o suporte para os adultos autistas”. Barack Obama ainda concluiu: “Com
cada nova política para romper essas barreiras, e com cada atitude para novas
reformas, nos aproximamos de um mundo livre de discriminação, onde todos possam
alcançar seu potencial máximo”.
No Brasil, é preciso alertar, sobretudo, as autoridades e
governantes para a criação de políticas de saúde pública para o tratamento e
diagnóstico do autismo, além de apoiar e subsidiar pesquisas na área. Somente o
diagnóstico precoce, e conseqüentemente iniciar uma intervenção precoce, pode
oferecer mais qualidade de vida às pessoas com autismo, para a seguir iniciarmos
estatísticas na área e termos idéia da dimensão dessa realidade no Brasil. E
mudá-la.
Vários níveis no espectro
O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de
transtorno invasivo do desenvolvimento (TID) – também conhecido como transtorno
global do desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos
casos mais graves, porém há vários níveis dentro do espectro autista. Nos
limites dessa variação, há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro
além de raros casos com diversas habilidades mentais, como a Síndrome de
Asperger (um tipo leve de autismo) – atribuído inclusive a aos gênios Leonardo
Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einstein. Mas é preciso desfazer o mito de que
todo autista tem um “superpoder”. Os casos de genialidade são raríssimos.
A medicina e a ciência de um modo geral sabem muito pouco sobre o
autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente 1993 incluído na
Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde
como um transtorno invasivo do desenvolvimento. Muitas pesquisas ao redor do
mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura.
Atualmente diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com
autismo sensivelmente melhor. E vale destacar que o neurocientista brasileiro
Alysson Muotri conseguiu um primeiro passo para uma possibilidade futura de
cura, em seu trabalho na Califórnia (EUA). Ele curou um neurônio autista em
laboratório e trabalha no progresso de sua técnica na Universidade de San Diego.
Tão importante quanto descobrir a cura, é permitir que os autistas de hoje sejam
incluídos na sociedade e tenham mais qualidade de vida e respeito.





Olá Cláudia!
ResponderExcluirTenho um filho autista de 25 anos e gostaria de trocar umas idéias. Já li seu livro e tenho muitas duvidas. Poderia entrar em contato? Meu e-mail é cpainhas@oi.com.br
Um abraço
Cristina Painhas